Conforme foi dito na última edição desta coluna, semana passada, as duas maiores e mais influentes bandas de Heavy Metal Melódico ou Power Metal, como preferirem, estiveram em São Paulo neste domingo para uma noite mais do que especial para os milhares de fãs que estiveram no Credicard Hall.
Vamos aos shows
A primeira banda a se apresentar foi o Gamma Ray, liderada pelo fundador do Helloween, Kai Hansen, estes alemães que sempre vieram ao Brasil como atração principal, tiveram a tarefa de abrir a noite, mas creio que a maior parte do público não encarou este show como uma simples atração de abertura.
Pois foi assim também a postura da banda, que apesar de ter seu tempo de show reduzido em relação a suas visitas anteriores à São Paulo, para pouco mais de uma hora de duração, deu o máximo de si em execuções irrepreensíveis de grandes temas de sua discografia como “Heaven Can Wait”, “New World Order”, Valley of the Kings”, “Rebellion in Dreamland” e as faixas do último álbum “Into the Storm” e “Empress”, que funcionaram muito bem.
O destaque dentre os músicos fica por conta do baterista Dan Zimmerman, que é um dos melhores bateristas do Heavy Metal, mas pouco é lembrado por isso, pois de certa forma, o brilho e a história do líder da banda, Hansen, acaba ofuscando os outros integrantes.
O baixista Dirk Schlächter e o guitarrista Henjo Richter completam o time, que desde 1996 esta junto, e perfeitamente entrosado.
O único pecado do Gamma Ray foi ter ignorado o álbum “Insanity & Genius” de 1993, um de seus melhores trabalhos e que tem músicas excelentes, e o pior é imaginar que uma destas músicas poderia ser encaixada no show no lugar das intermináveis “firúlas” que as bandas de Heavy Metal costumam fazer, neste caso, aconteceram nas músicas “Heavy Metal Universe” e “Somewhere Out In Space”, que por sinal é fenomenal.
O saldo final do show do Gamma Ray foi positivo, a participação da platéia foi maciça em temas mais clássicos e a banda demonstrou que esta em plena forma, prometendo muitas alegrias aos fãs brasileiros ainda.

E após um grande intervalo para a arrumação do palco e para acalmar os fãs que estavam esmagando o pessoal da frente, apagaram-se as luzes novamente para a entrada do Helloween, que de cara tocou um dos seus maiores clássicos, a música “Halloween” do disco “Keeper of the Seven Keys”, que foi uma ótima escolha para abrir o show apesar de extensa, com mais de 10 minutos, mas muito bem trabalhada.
Em seguida resgataram “Sole Survivor” do álbum “Master of the Rings” de 1994, disco este que inicia a chamada “Era Deris” no Helloween, em referencia ao vocalista Andi Deris, que por sinal, tem evoluído a cada álbum do Helloween, tanto como cantor como frontman, pois seu carisma e empatia com o público são enormes.
Após este início arrasador a banda desfila mais algumas músicas até chegar ao seu sétimo ato que é o sempre maçante “Solo de Bateria”, Dani Loeble está de parabéns, pois é um baterista excepcional e se encaixou como uma luva na formação do Helloween, o sujeito tem muita técnica e toca as músicas com perfeição, mas solo de bateria, seja de quem for, é chato demais. Aliás, os bateristas devem ter algo sobrenatural, pois a banda toda para pra tomar um refresco durante o show, e o baterista não, e ainda por cima é encarregado de se esforçar pra entreter a platéia enquanto os outros descansam. Se não for isso deve ser coisa de ego mesmo. Porque é sempre a mesma coisa!
Voltando ao show, as faixas do último trabalho do Helloween, “Gambling With The Devil”, utilizadas no show foram “As Long As I Fall” e “The Bells of Seven Hells”, que como toda música nova, empolgou bem menos que as clássicas, como foi o caso de “Eagle Fly Free” e “Dr. Stein” que fizeram o Credicard Hall tremer.
A banda estava bem à vontade e parecia estar se divertindo muito por estar de volta à São Paulo, tanto que Andi Deris agradeceu ao público pela noite em que gravaram naquele mesmo palco o DVD “Live in 3 Continents” da turnê passada.
Mas o grande momento da noite estava ainda por vir, e aconteceu nos últimos dois números, quando todos os músicos que tocaram na noite, ou seja o Helloween eo Gamma Ray,com exceção do baterista Dan Zimmerman , tocaram dois clássicos consagrados do Helloween de autoria de Kai Hansen, “Future World” e “I Want Out”.
Eram ao todo oito músicos no palco e aproximadamente 4000 fãs cantando junto, fazendo valer a pena esperar por tanto tempo pra ver esta reunião do antigo fundador do Helloween com a sua banda de origem.
Foi uma noite histórica, regada ao bom e velho Heavy Metal e com bandas que representam o estilo de forma muito competente.
Mais sobre o Heavy Metal e o Rock em geral você ouve no Programa Rock Station, na Alternativa FM – 106,3, aos sábados, 21:00 horas.

Renato Alves
Agradecimentos:
All Access Brasil, Credicard Hall, T4F (Time For Fun) e Luciana Stabile.
O que rolou nos shows:
Gamma Ray
01. Welcome
02. Into The Storm
03. Heaven Can Wait
04. New World Order
05. Fight
06. Empress
07. Valley Of The Kings
08. Rebellion In Dreamland
09. Heavy Metal Universe
10. Ride The Sky
11. Somewhere Out In Space
12. Send Me A Sign
Helloween
01. Intro
02. Halloween
03. Sole Survivor
04. March of Time
05. As Long as I Fall
06. A Tale That Wasn´t Right
07. Drum Solo
08. King For a Thousand Years
09. Eagle Fly Free
10. The Bells of The Seven Hells
11. Dr. Stein
12. Medley: I Can / Where The Rain Grows / Perfect Gentleman / Power / Keepers of The Seven Keys
13. Future World (com Gamma Ray)
14. I Want Out (com Gamma Ray)